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Yaha Trade - Eficiência no comércio exterior

16
janeiro
2018
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Santa Catarina, estado de logística

Muita gente me pergunta porquê sendo ministro do Turismo escrevo de forma recorrente sobre tecnologia, inovação, logística, urbanismo, infraestrutura e até mesmo sobre arte, cultura e arquitetura. A primeira resposta que dou é a “científica”: o turismo é uma atividade que impacta diretamente em 52 setores da economia. A segunda é uma questão que venho formulando recentemente: SC venceu o patamar do desenvolvimento setorial (indústria, comércio, serviços, turismo, agricultura) e adentrou ao estágio do desenvolvimento territorial – ou seja, todos os setores da economia crescendo de forma integrada, tendo como catalisadores a logística e o turismo, e como fio condutor a tecnologia e a inovação.

Inspirado nas notícias de que a GM fez uma operação-teste e desembarcou mais de mil veículos com sucesso no Porto de Itajaí, foco este artigo na logística. E começo lembrando que, desde o início do século, Luiz Henrique projetou um “estado de logística” que pudesse oferecer a todos os setores, em todas as regiões – finalmente integradas pela descentralização -, oportunidades de desenvolver seus territórios, escoar a produção, importar matéria-prima e abrir portos, aeroportos e rodovias ao mundo. É como um espetáculo de orquestra, em que a plateia encantada com a peça musical já com não distingue sopros, metais, percussão, teclas e cordas, mas se delicia com o resultado do conjunto.

A visão do maestro LHS foi um sucesso e vou primeiro à frieza dos números para comprovar: há 20 anos, em 1997, Santa Catarina exportava 2,8 bilhões de dólares e importava 2,6 bilhões de dólares; em 2017, exportamos 8,5 bilhões de dólares e importamos 12,5 bilhões de dólares. Para isso, foi preciso construir um dos mais importantes complexos portuários do planeta, estrategicamente posicionado na baía da Babitonga, na foz do Itajaí e em Imbituba. Se compararmos com o que temos hoje, saímos praticamente do zero há menos de duas décadas.

Itajaí, por exemplo, só começou a se transformar no segundo maior complexo portuário do país durante a década de 1990, com a municipalização. Porém, como já havia acontecido em 1983, em 2008 uma enchente destruiu parte das estruturas, o que provocou lamentáveis atrasos no ritmo de crescimento do terminal – que não o impediram de no primeiro semestre deste ano ter um crescimento de 4%. Do outro lado da foz do Itajaí, um forte instrumento veio se juntar à orquestra: a Portonave, que faz hoje do porto de Navegantes, inaugurado em 2007, o primeiro em movimentação de contêineres do Sul do Brasil e um dos três brasileiros na lista dos maiores da América Latina.

Crescimentos

Histórias semelhantes de explosão de crescimento teremos na Baía da Babitonga, no Norte, em Imbituba, no Sul, e em outras regiões como Grande Oeste.

O “estado de logística” foi projetado pelo ex-governador Luiz Henrique e seu resultado mais visível é que as exportações quadruplicaram e as importações quintuplicaram ao longo de 20 anos.  Os portos de Itajaí e Navegantes estão, hoje, no ranking dos maiores da América Latina. Esses portos, na foz do Itajaí, têm uma história parecida com outros dois portos na Baía da Babitonga, ao Norte.

Assim como Itajaí, o histórico terminal de São Francisco do Sul só veio a se consolidar neste século – e hoje é o maior em movimentação de cargas do estado e o 6º do país. Cresceu 17% no ano passado e se prepara para dobrar a capacidade operacional em oito meses. E, assim como Navegantes, que foi inaugurado em 2007, o Porto de Itapoá, do outro lado da baía, também é novo – começou a operar em 2011, está entre os maiores do país em cargas conteinerizadas e vai quadruplicar sua capacidade. Nosso complexo portuário se completa no Sul, onde Imbituba deu um salto a partir de 2012, quando a SCPar assumiu a administração. O porto fechou o primeiro semestre com a maior movimentação mensal de sua história, em junho, e teve um crescimento acumulado de 14% no semestre, sobre 2017.

Esse eficiente complexo portuário catarinense foi desenhado para funcionar em harmonia com um sistema aeroportuário: Joinville no Norte, Navegantes na foz do Itajaí, Hercílio Luz na Grande Florianópolis e Jaguaruna no Sul. No entanto, todos esses terminais precisam de fortes investimentos para que um dia sejam parte de um ‘hub’ regional com capacidade para atender altas demandas de passageiros, turistas e, especialmente, cargas. E o “cenário territorial” só ficará completo com a entrada em cena do aeroporto de Correia Pinto, na Serra, e com a criação do ‘hub’ do Grande Oeste, a partir de um novo terminal no Aeroporto Serafim Bertaso, em Chapecó.

Se no item portos e aeroportos Santa Catarina está se consolidando como um estado de logística, o mesmo quanto às rodovias. Com exceção da BR-101 duplicada, que se transforma em corredor de desenvolvimento – já consolidado no Norte e criando condições ao Sul – os gargalos das BRs 280, 470 e 282 podem condenar o sonho logístico. A solução está na privatização. Não temos força política, nem o país tem recursos para essas obras de duplicação – conceder para a iniciativa privada é desonerar o contribuinte e driblar o ‘custo Brasil’. Só assim haverá luz no fim do túnel para que um dia, definitivamente, a logística encontre o turismo e a tecnologia em todo o território catarinense.

 

Fonte: Floripa News


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